Ao chegar em Cuba senti uma certa tensão quanto a segurança no aeroporto, são bem rígidos quanto aos cuidados. No início tive dificuldades para ligar para o Brasil, pois não sabia como funcionava a comunicação por lá, depois descobri com a ajuda dos cubanos aprendi que comprando um cartão telefônico é possível usá-lo até o fim ligando dos orelhões e da casa dos cubanos também. As ruas de Havana têm muitos contrastes, pois há diferenças entre Havana Velha, Centro e Vedado, muitos prédios públicos não estão em boas condições ou estão em reformas, com são patrimônios da humanidade pela Unesco não podem ser derrubados.
As ruas em toda Cuba são bem movimentadas nas 24 horas do
dia, há filas para comprar carne e pão, pois os excessos são controlados pelo
governo para que todos tenham acesso à alimentação básica. Caminhei a pé
praticamente por Havana inteira em todos os horários e de madrugada também, e a
violência e o crime não inexistentes por lá, um dos lugares mais seguros do
mundo, segundo os cubanos, todos os turistas andam tranquilos pra lá e para cá
despreocupados com isso, visitei uma delegacia, chegando lá estava vazia, sem
muitas coisas a fazer, nas ruas existe rondas policiais de carro para
necessidades, o porte de armas é proibido por lá, os cubanos me disseram que é
raro que alguém tenha alguma arma.
O que é mais difícil conseguir em Cuba são produtos de
higiene, que são caros, a diversidade de frutas é pequena, pois lá não há
alguns tipos de frutas que só chegam através de importação, uma cota de leite é
distribuída e garantida as crianças pelo governo, os materiais escolares também
são bem quistos por lá, levei muitas canetas Bic para dar de presente aos
cubanos.
Os cubanos adoram política, discutem muito, e se deixar fazem
isso o dia todo, em cada bairro há um CDR, Conselho de Defesa da Revolução, com
líder eleito e que tem voto no Conselho dos CDRs onde serão eleitos os
representantes eleitos para votar no presidente escolhido pelo partido
comunista cubano, quem diz que não há eleição em Cuba está enganado, ela existe
e é bem complexa nas suas ramificações. Criticam o governo com moderação, mas
tem consciência das dificuldades, principalmente causada pelo embargo comercial
americano à Ilha a mais de 50 anos.
Em suas casas os cubanos adoram assistir as novelas
brasileiras, conhecem o Pelé, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho e torcem pelo Brasil
no futebol, porém seus esportes preferidos são o baseball e o boxe. Conversei
com eles sobre o cheque de realidade entre Cuba e Brasil, com respeito ao
padrões de vida e luxo que aparecem nas novelas, eles me falavam que se
divertir vendo as novelas era um forma de conhecer o mundo e esquecer um pouco
os seus problemas. Lá eles adoram o Lula e a Dilma, assim com o Fidel e o Che,
marcos da história cubana, já os presidentes brasileiros são vistos como amigos
que os ajudam.
As cubanas sonham em casar com um estrangeiro para tentar conhecer
ou morar em outro país, eles podem sair do país, mas devidos os custos e as
exigências para tirar o visto inibem essa vontade. Apesar disso muitos são
orgulhosos e adoram seu país, dizem que não querem ir embora e que a Revolução
está evoluindo. Os homens cubanos adoram cantar as mulheres, principalmente as
turistas, também com o intuito de se casar com elas ou então ter um padrão de
vida melhor através dos euros, presenciei várias turistas europeias se
relacionando com cubanos durante sua estadia, os cubanos as encantam pela dança
ou pela cantada, assim também por serem fortes e altos. Em Cuba vê-se gente de
todas as raças por igual, a colonização foi diversificada, no começo achei que
veria mais negros, porém me surpreendi com a diversidade linda de pessoas de
todos os tipos. Os cubanos são muito parecidos com os brasileiros, pois são
alegres, comunicativos e dão um jeito em tudo, assim como nós.
As recentes mudanças econômicas estão mudando o cenário das
comunicações e dos serviços em Cuba, vi muitos carros estrangeiros por lá,
assim como os milhares de carros antigos que são usados como táxis por todos a
preços populares. As pessoas que têm algum comércio ou trabalham com algum tipo
de serviço conseguem ganhar um pouco mais que a população que trabalha para o
Estado, assim como no setor de turismo que movimenta de forma positiva a
economia cubana. Visitei um hospital em Havana, parecia bem organizado e
funcional, os funcionários bem atenciosos e preocupados com todos, reflexo da
melhor medicina do mundo. A internet por lá está crescendo, mas por enquanto
ainda é cara, cerca de 10 dólares por hora, para os cubanos é mais barata, lá há
diferenças de preços para cubanos e turistas por isso duas moedas CUC, baseado
no dólar, e o CUP, o chamado peso cubano. Mas é possível fazer alguma coisa com
os pesos cubanos pra quem é turista como comer na lanchonetes montadas nas
casas dos cubanos, pegar ônibus e até em alguns restaurantes. A maioria das
hospedagens por lá são nas casas dos cubanos, autorizados pelo governo a
arrendar sua propriedade para os turistas, assim eles conseguem dar mais opções
e alavancar a economia geral.
Minhas impressões sobre Cuba foram positivas ao passar por
lá, fui preparado para um choque cultural, político e econômico, o que
aconteceu realmente, eu esperava ver uma situação mais difícil, talvez
influenciado pela mídia e as dificuldades de obter informações da vida por lá,
confesso que fui preparado pra sofrer as consequências de ver meu sonho de conhecer
o regime que tanto me orgulha na saúde e educação desabar diante do pior, com o
passar dos dias por lá senti que a vida dos cubanos tem melhorado com as
mudanças e com o passar da revolução, são mudanças lentas, porém necessárias
para atualizar as conquistas da Revolução e fortalecer as ideias e as formas de
convivência diante do mundo contemporâneo. Saí de lá com a sensação de que o
que eu acredito existe, é possível viver bem e feliz com pouco, mas com saúde e
educação para todos, e sem se ajoelhar aos EUA, as formas coletivas de vida dos
cubanos me mostraram que a "Utopia" de Tomas More exite!
Total de gastos dos 10 dias de viagem: R$ 3.546,00

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